Terça, 02 de Março de 2021
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Política Lava-Jato

Alvo da PF, Ciro Nogueira ganha espaço com Bolsonaro

Presidente entra na segunda metade do governo em aliança com o Centrão e ao lado de legião de aliados envolvidos em investigações

14/02/2021 14h03 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação Fonte: O Globo
Foto: O Globo
Foto: O Globo

Eleito com um discurso de combate à corrupção e tendo o ex-juiz da Lava-Jato Sergio Moro ao seu lado, o presidente Jair Bolsonaro, que entra na segunda metade do governo, selou uma aliança com o Centrão e tem agora ao seu redor uma legião de aliados investigados naquela operação ou denunciados nos últimos escândalos de corrupção que estouraram no país.

Em troca do apoio político para garantir sustentação ao governo, os neoaliados trazem o custo de pôr em contradição o discurso do presidente desde a eleição, além de cobrar cargos públicos e verbas para emendas.

No mais recente movimento, o senador e ex-presidente da República Fernando Collor (PROS-AL) esteve no Planalto para uma reunião a sós com Bolsonaro. Acabou convidado a dar sugestões sobre o preço de combustíveis num encontro com a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Collor foi acusado de receber propina numa apuração da Lava-Jato justamente sobre a área de combustíveis. Também aliado de Bolsonaro, Collor é réu em uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de receber mais de R$ 30 milhões de vantagens indevidas por negócios da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras na qual ele tinha influência política. O caso já está pronto para ser julgado pelo Supremo. Nas alegações finais, a PGR pediu a condenação do senador a uma pena de 22 anos de prisão.

— Hoje, estávamos reunidos com a equipe econômica do Paulo Guedes, vendo a questão do impacto desse novo reajuste do combustível, que não podemos interferir e não pensamos em interferir (na Petrobras), e apareceu o senhor Fernando Collor e o convidamos para a reunião. Ele (...) deu sugestões bem-vindas e acolhidas por nós. Dessa forma, vamos governando — disse Bolsonaro, em cerimônia da Secretaria de Governo, que também teve a presença de Collor.

Alvo de impeachment em 1992, Collor evita comentar a aproximação com o atual presidente. Interlocutores de ambos dizem que o ex-presidente tem elogiado a nova relação de Bolsonaro com políticos do Congresso. Recentemente, os dois estiveram justos em inauguração de obras em Alagoas, estado de Collor. Nas duas vezes, Bolsonaro não poupou elogios ao ex-presidente.

Sinuca de bico
A reaproximação com a classe política que foi alvo da Lava-Jato começou no ano passado, ao mesmo tempo em que Bolsonaro se afastava do seu ministro da Justiça Sergio Moro. Ex-filiado ao PP, Bolsonaro havia saído do partido depois que a Lava-Jato atingiu em cheio os caciques políticos da legenda, acusados de receberem propina desviada da Petrobras.

No ano passado, diante das dificuldades que enfrentava no Congresso, o presidente buscou uma reaproximação com líderes do partido e selou aliança com o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), a quem passou a chamar de “meu malvado favorito”. Ainda antes de vencer a eleição para presidente da Câmara com o apoio explícito e o patrocínio, na forma de cargos e emendas, do Palácio do Planalto, Lira já era visto na Casa como um líder informal do governo Bolsonaro.

Uma vez no comando da Câmara, assumiu o protagonismo da interlocução entre governo e Congresso: é, de um lado, quem influencia a aprovação de pautas como a volta do auxílio emergencial e, de outro, quem cobra espaço do Centrão numa possível reforma ministerial.

Lira também foi alvo da Lava-Jato. É réu em duas ações penais no STF. Uma delas o acusa de integrar uma organização criminosa montada no partido PP para sangrar os cofres da Petrobras, o “quadrilhão do PP”.

Nesta ação, há imagens de Lira entrando no prédio onde ficava o escritório do doleiro Alberto Youssef, em São Paulo. Em outro desdobramento da operação, é acusado de receber propina de R$ 106 mil da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

Outro cacique do Progressistas, o senador Ciro Nogueira (PI) passou a ter grande influência no Palácio do Planalto desde o ano passado e começou a ser chamado no Congresso de “zero cinco”, em referência à numeração dada aos filhos biológicos do presidente.

Filiado ao PP entre 2005 e 2016, Bolsonaro deixou a legenda atirando contra Ciro Nogueira, que, dois anos antes, ignorou pedidos do então deputado federal, que queria disputar a Presidência, para apoiar a reeleição de Dilma Rousssef (PT).

A reaproximação se deu por meio do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), denunciado pelo MP-RJ sob acusação de comandar um esquema de rachadinha na Alerj.

Ciro Nogueira é réu no STF na ação do “quadrilhão do PP” e foi alvo de duas denúncias ainda não recebidas pelo Supremo. Uma delas o acusa de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por meio de repasses da Odebrecht.

Outra, de obstrução de Justiça nas investigações da operação. Nesta, dois ministros do STF já votaram pelo recebimento da denúncia, mas o julgamento ainda está em andamento.

Os líderes do governo no Congresso também estão enrolados com investigações. O do Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), foi alvo de operação da PF em 2019 sob suspeita de receber propina quando era ministro da Integração Nacional do governo Dilma. O inquérito está em andamento.

Outra acusação contra ele na Lava-Jato foi rejeitada pelo STF em 2018. Na eleição para presidente do Senado, Bezerra teve papel importante em desidratar na reta final a candidatura de Simone Tebel, de seu próprio partido, facilitando a vitória do candidato de Bolsonaro, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Já o líder na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), foi alvo de operação do Ministério Público do Paraná em setembro do ano passado sob suspeita de ter recebido propina da Galvão Engenharia. O caso ainda está sob investigação. Ex-ministro da Saúde no governo Temer, Barros protagonizou embate com a Anvisa sobre aprovação de vacinas e tem seu nome cotado para voltar à pasta em eventual queda de Eduardo Pazuello.

Dois condenados do mensalão também orbitam em torno de Bolsonaro agora, os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB) e Valdemar Costa Neto (PL). Caciques de seus partidos, eles colocaram suas legendas à disposição do presidente, que procura um partido para disputar a reeleição e 2022, e de seus apoiadores.

A defesa de Arthur Lira afirmou, em nota, que as acusações tiveram origem na delação premiada de Youssef e citou “fragilidade” das provas, afirmando que o doleiro atuou movido por vingança em suas delações, já que teria sido afastado do PP pelo grupo de Lira.

Sem provas
A defesa de Ciro Nogueira afirmou que ele foi acusado sem provas de corroboração das delações que basearam as denúncias: “As delações eram coordenadas pelo juiz Sergio Moro e pelo Ministério Público. Por isso, essas acusações não podem ser recebidas”, avaliou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro.

A defesa de Fernando Bezerra Coelho criticou a investigação contra ele; “O procedimento está lastreado apenas em versões deturpadas oriundas de um criminoso confesso em busca de pena reduzida”, afirmou o advogado André Callegari.

A assessoria de Ricardo Barros afirmou que “não houve desvio ou irregularidades” por parte dele: “Quanto aos depósitos citados pelo Ministério Público, estes têm origem lícita, sem relação com a investigação. São doações oficiais de campanha de 2014”. A defesa de Valdemar disse que não comentaria, e os demais citados não responderam ou não foram localizados.

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